You are hereCaminhos Cruzados / Caminhos Cruzados - O Encanto das Flores / Capítulo IV
Capítulo IV
Daphne estava muito espantado com o que acabava de ouvir. Ela olhou para a janela de
seu quarto e, quando uma lágrima saiu de seus olhos, ela disse:
- Ele nunca será feliz com outra!
Juane se a ssustou com as palavras de Daphne e disse:
- Daphne, o que irás fazer?
- Se ele não for meu, não será de ninguém! Irei descobrir quem é ela!
- Mas como, Daphne? Ninguém sabe! Só os pais dos noivos!
- Eu irei fazer algo!
- Não chore, querida!
- Não estou chorando!
Daphne enxugou as lágrimas e gritou:
- AGORA SAIA DAQUI! JÁ!
Juane saiu chorando do quarto.
Enquanto isso, no Monte das Flores, Elisa colhia rosas cantando, até que, ao dizer o segundo verso da segunda estrofe (“Arthur é o homem da minha vida, de longe posso notar!”), Arthur chegou, e, muito feliz com o que havia escutado, cantou:
“Sei que as estrelas,
não posso contar.
Mas sei também que a mais brilhante,
ao meu lado está!”
Ao ouvir a voz de Arthur, Elisa sorriu, não se virou, assim, ficou de pé com sua cesta cheia de flores, ela fechou os olhos e continuou cantando:
“Sei que eu não
Devia te comunicar,
Mas hoje sinto que ao seu lado,
É o meu lugar!”
Arthur sorriu e cantou:
“Meu anjo tão gracioso,
Devo lhe afirmar,
que nosso caminho
traçado já está.”
Ele caminhou em sua direção e ia cantando enquanto caminhava:
“E que felizes para sempre
nós iremos ser.
Te amo mais do que é possível,
isso posso te dizer.”
Arthur já estava muito próximo de Elisa, ele toca seus cabelos cuidadosamente. Elisa se vira e diz:
- Arthur! Não achei que viesses!
- E eu consigo viver sem teus olhos?
- Olhos castanhos, comuns.
- Nenhum olho é comum se possuir seu olhar.
Elisa sorriu envergonhada. Arthur sorriu também e disse:
- Apenas por esse sorriso, estou satisfeito por vir aqui.
Elisa sorriu novamente e disse tentando mudar de assunto:
- Já olhastes as flores hoje? Estão mais belas.
- De todas, és tu a mais bela.
- Arthur, eu vou me sentar, estou cansada.
- Está bem, claro!
Elisa se sentou na grama e se encostou em uma árvore. Arthur sentou ao seu lado e disse:
- Vens todos os dias?
- Sim, adoro colher flores.
- Vejo que acabo de descobrir o encanto das flores.
- O encanto das flores?
- Para mim, as flores são encantadoras, mas acabo de descobrir o verdadeiro encanto.
- E qual é?
- É você, as colhendo e cantando.
Elisa sorri e diz envergonhada:
- Amo a música.
- Eu também, principalmente depois do nosso “dueto”.
- Cantas muito bem.
- Tu cantas melhor, sem sombra de dúvida. Mas, pra ser sincero, prefiro a leitura.
Elisa olhou para o chão calada e Arthur disse:
- Perdoe-me! Havia esquecido que mulheres não são ensinadas a ler. Mas eu...
Elisa olhou para Arthur e disse:
- Tu?
- Eu posso te ensinar a ler!
- Meu pai não me permite, sinto muito.
- Não necessito que contes para seu pai.
- Queres dizer, ocultamente?
- Isso! O que achas?
- Não sei, devo pensar.
- Está bem.
- O céu está lindo.
- Não! Tu é que está! - disse Arthur olhando apaixonadamente para Elisa
Elisa olhou para Arthur e sorriu. Arthur disse:
- Se eu pudesse escolher uma noiva, se ria tu, com toda a certeza.
- Eu te escolheria também.
- Estás falando sério?
- Sim, mas não sei se devo!
- Sé que eu posso segurar tua mão outra vez?
- Outra vez?
- Já a segurei no baile, recorda?
- Sim, claro.
- Posso segurá-la novamente?
- Está bem.
Arthur segurou a mão de Elisa sem parar de olhar seus olhos. Elisa disse:
- Está entardecendo.
- Tem razão. - disse Arthur soltando a mão de Elisa
- Devo ir.
- Deseja que eu te acompanhe?
- Não, fico grata!
- Está bem.
- Até logo.
Elisa se levantou e Arthur se levantou também, segurou sua mão e disse:
- Pode voltar amanhã?
- Ao entardecer?
- Sim!
- Está certo, voltarei.
- Até logo, meu anjo.
Arthur deu um beijo na testa de Elisa, que ficou surpresa e foi embora.
Elisa foi para casa e, ao chegar, Maria a recebeu e disse:
- Elisa, meu bem. Vamos subir! Seus pais estão à sua procura.
- Está bem!
Elisa foi com Maria até seu quarto e lá, Maria fechou a porta, se sentou na cama de Elisa e disse:
- Então, meu bem? Como foi?
- Foi maravilhoso, Maria.
- Troussestes as flores?
- Sim, aqui estão.
Elisa entregou a cesta para Maria, que disse:
- O que se passou????
- Primeiramente eu colhia flores cantando, até que ele chegou e cantou comigo.
- Ai, que romântico! - suspirou Maria
Elisa riu e disse:
- Depois, ele vinha cantando e tocou meus cabelos.
- Elisa! Permitiste??
- Não, ele não me pediu permissão.
- Mas que despudorado!
- Não, Maria! Ele não é despudorado.
- Está certa. Continue.
- Me sentei encostada em uma árvore e ele também.
- Ele sentou-se contigo?
- Ao meu lado.
- Está bem.
- Ele me disse coisas tão bonitas! - disse Elisa sorrindo
Elisa se sentou ao lado de Maria, que disse:
- Que coisas?
- Que de todas as flores eu era a mais bela.
- Como ele é romântico! - suspirou Maria
- Ele me fez uma proposta.
- Que proposta?
- Ele deseja me ensinar a ler e escrever.
- Menina!!! Mas como ele imagina fazer isso?
- Acredito que faria isso no Monte das Flores.
- E tu queres?
- Quero! Mas não sei se devo.
- É evidente que deve!!
- Tu achas?
- Sim! Quantas mulheres tem a sorte de saber ler e escrever?
- Tens razão.
- Quando irá vê-lo novamente?
- Amanhã.
- Onde?
- No Monte das Flores ao pôr-do-Sol.
- Amanhã irei caminhar na rua.
- Que bom!! Posso ir com você?
- Meu amor! Eu já iria te chamar! É evidente que podes!!!
- Fico grata, Maria.
- Amanhã bem cedo!
- Está certo!
- Então agora vai se arrumar para o jantar, seus pais te aguardam.
- Sim, está bem.
Elisa se arrumou e em seguida foi jantar.
Enquanto isso, Arthur chegava em casa muito feliz. Ele jantou e foi dormir pensando em Elisa, que também foi dormir pensando nele.
No dia seguinte, Arthur se acordou cedo e foi para o bar, encontrar com os amigos. Cyrano, Edgar e Percival já estavam lá. Para a alegria de Arthur, Cyrano ainda não estava bêbado, isso queria dizer que ele estava com bom humor. Todos olharam para Arthur sorrindo, Arthur chegou e Edgar disse:
- Onde estavas ontem?? Com alguma dama?
Percival sorriu e disse:
- Devemos perguntar primeiramente o que houve na casa di Frangipane! Avistei-te entrando lá ontem, eu estava na casa de Cyrano. O que houve?
- Quando isso se passou?? Eu não consigo relembrar de nada. - disse Cyrano atrapalhado
- Não será porque você estava bêbado? - disse Edgar rindo
- Isso não é importante! Arthur, então, o que se passou??? - disse Percival
Arthur se sentiu bombardeado por perguntas. Ele se sentou e disse:
- Por gentileza, uma pergunta da cada vez.
- Pois não! O que estavas fazendo na casa di Frangipane?? - disse Edgar
- Meu pai e eu fomos convocados para comparecer lá. - disse Arthur
- E por qual motivo?? - disse Cyrano curioso
- O senhor di Frangipane gostaria que eu noivasse com Daphne. - disse Arthur com raiva
- E tu estás noivo dela? - disse Percival
- Não seria correto! - disse Arthur
- Por qual motivo?? - disse Edgar
- Já sou noivo. - disse Arthur
- Por qual pedaço de mal caminho pegastes o rumo?? - disse Percival
- Percival, não fale assim de damas! - disse Cyrano
- Então, Arthur? Quem é sua perdição? - disse Edgar
- Não sei. - disse Arthur
- Era uma prometida? - disse Percival
- É! Acredito que sim! - disse Arthur
- Mas onde estavas ontem de tarde?? - disse Edgar
- Suponho que com uma dama. - disse Percival
- Eu já volto! - disse Cyrano se levantando e andando pelo bar
- Então, onde estava? - disse Edgar
- Com uma dama, sim. - disse Arthur
- E como se chama? - disse Percival
- Eu não sei! Não sei seu nome, só sei que a amo. - disse Arthur
- Arthur, vai dizer que não perguntou o nome dela?? - disse Edgar sorrindo
Arthur riu e disse:
- Sim.
- Mas tu és muito distraído!!! - disse Percival
- Eu me esqueci! - disse Arthur colocando a mão na testa, de cabeça baixa e rindo
- Mas ela é bela? - disse Percival
- Como os anjos! - disse Arthur
Arthur sorriu se lembrando da música e do Monte das Flores. Até que Percival disse:
- Onde está Cyrano?
Os três se olharam e se levantaram.
Enquanto isso, Elisa saia com Maria, as duas fecharam os portões e começaram a andar pela rua conversando.
Já Arthur, estava procurando Cyrano com seus amigos, ao olhar bem, Cyrano já havia conseguido sem embreagar. Ele estava deitado no balcão, totalmente bêbado. Os três se olharam rindo, seguraram Cyrano e saíram do bar. Arthur e Edgar carregavam Cyrano e Percival só andava falando sossegadamente. Até que, Arthur viu Elisa, que também o viu, os dois trocaram olhares e sorrisos, mas Elisa colidiu com um homem encapuzado e os dois caíram. Arthur falou:
- Oh, meu Deus!!!
Ele correu, soltando o braço de Cyrano, que quase cai. Arthur estendeu a mão para Elisa e disse:
- Você está bem???
- Sim! - disse Elisa sorrindo, feliz em vê-lo
Ele sorriu para ela, olhou para o homem encapuzado, que, por coincidência era o mesmo que havia colidido com ele outro dia. Arthur disse:
- O senhor, precisa ter mais atenção.
O homem sorriu e Arthur disse:
- Nos encontramos de novo! Deve ser destino! - disse Arthur sorrindo
O homem se virou e saiu dizendo:
- Tudo são números! Tudo são números! Tudo são....
Arthur olhou para Elisa sorrindo, então chegou Maria, que no momento estava comprando frutas. Maria disse:
- O que está se passando por aqui?
- Perdão, senhora! Eu vi a senhorita – disse Arthur olhando para Elisa – cair e vim ajudá-la a levantar.
- Meu amor, você caiu??? - disse Maria
- Foi só um tombo! - disse Elisa sem conseguir tirar os olhos de Arthur
- Então você já está bem. - disse Arthur sorrindo
- Sim, graças a você. - disse Elisa
- Se necessitar de ajuda, podes me chamar! - disse Arthur
- Obrigada, filhinho! - disse Maria
- Arthur, podes me chamar de Arthur.
Então Maria entendeu tudo. Elisa disse:
- Até mais, Arthur!
- Até mais, meu, digo meus anjos! - disse Arthur
Arthur saiu e Maria disse:
- Esse é o Arthur???
- Ele já te disse que sim! - disse Elisa
- Mas, o seu Arthur?
- É.
- Querida, ele é realmente muito belo!
- Achas mesmo?
- Acho!
- Maria, acredito que estou apaixonada!
- Queres saber o que penso?
- Claro que sim!
- Acredito que ele também!
- Acreditas mesmo?
- É evidente que sim!! Ele te ama, de verdade!
- Deus te ouça, Maria! Deus te ouça!
Enquanto Elisa, que permanecia parada conversando com Maria, Arthur correu até seus amigos, que estavam parados à sua espera. Edgar disse:
- És um tonto, Arthur! Não beijaste a mão da dama e nem a de sua ama!
Arthur bateu em sua própria testa, olhou para trás e disse:
- Céus! Como sou atrapalhado!!
Em seguida, Arthur correu e alcançando Elisa e Maria, ele segurou a mão de Maria e disse:
- Perdoe-me pela indelicadeza, senhora!
Arthur se abaixou e beijou a mão de Maria (que estava coberta por uma luva), que se espantou com a gentileza já que, uma ama não era acostumada com isso. Arthur sorriu olhando para Maria e disse:
- Perdão, sou muito distraído!
Então ele se virou para Elisa, olhou dentro de seus olhos sorrindo e disse:
- Perdoe-me senhorita!
Arthur beijou a mão de Maria , que também estava com uma luva. Sorriu e disse:
- Agora devo ir! Até mais ver!
Elisa sorriu e Arthur foi embora. Quando ele saiu, Maria disse:
- Elisa, que moço gentil!!
- Ele é um cavalheiro! - disse Elisa
- É realmente um bom moço! - disse Maria
- Por isso me apaixonei por ele.
- Depois disso te apoio totalmente!
- Fico grata, Maria!
- Agora devemos ir, ou pensarão que não temos juízo. Por ficarmos aqui paradas.
- Tens toda a razão, Maria!
As duas foram andando. Já Arthur, alcançou seus amigos. Percival, que já estava com mau-humor por te que carregar Cyrano, mesmo que por poucos minutos, disse:
- Será que não podias deixar galanteios para depois??
- Perdão! Eu não havia sido cavalheiro! - disse Arthur voltando a carregar Cyrano
- Arthur, ela está apaixonada por ti. - disse Edgar
- Quem? - disse Arthur
- A moça que ajudastes a levantar! - disse Edgar
- Achas mesmo? - disse Arthur sorrindo, sem conseguir esconder a felicidade que sentia por ouvir aquilo
- Sim, mas por qual motivo meu estimado amigo estaria tão feliz em ouvir isso?? - disse Edgar
- Eu a amo. - disse Arthur
- Então foi com essa que passastes a tarde?? - disse Percival
- Foi. - disse Arthur
- É uma bela dama. - disse Percival
- É, ela é diferente! - disse Arthur
- Arthur apaixonado! Nunca imaginei presenciar isso! - disse Edgar rindo
- Sua hora chegará! - disse Arthur sorrindo
- Que bom que estou livre disso! - disse Percival
- Percival, o amor não é uma maldição! - disse Edgar
- De certa forma sim! - disse Arthur
- Mas, achei que pensavas que o amor fosse um dom! - disse Percival
- Também! - disse Arthur
- Só podes estar louco! - disse Edgar rindo
- Talvez. - disse Arthur sorrindo
- Arthur, está nos assustando! - disse Percival
- Não precisam usar essas expressões! - disse Arthur olhando seus amigos, que o olhavam
cara de espanto
- Então explique-se! - disse Edgar
- O amor é isso! Um dom, uma maldição! Uma mistura de tudo! É um dom porque purifica a alma e uma maldição porque nos prende totalmente naquela pessoa e nos faz ingênuos e até burros em determinadas situações. Assim como tudo no mundo, o amor tem duas faces, ou seja, não há nada no mundo que não se torne mais fácil ou difícil dependendo do jeito que você olhe. - disse Arthur
- Belas palavras, meu caro! Belas palavras! - disse Percival dando um tapinha nas costas de Arthur
Finalmente eles chegaram na casa de Cyrano, entraram e tomaram um chá. Depois, Arthur foi para casa. Enquanto isso, Elisa chegava em casa com Maria e foi almoçar.
Na casa di Frangipane, Daphne estava em seu quarto e havia chamado Juane, que chegou rapidamente. Juane disse:
- Me chamou, Daphne?
- Sim!
- Pois não, meu bem.
- A partir de amanhã, irás seguir Arthur!
- Mas como assim???
Juane estava muito assustada com o que acabava de ouvir.
