No dia seguinte, na casa dos di Frangipane, Juane, a ama que acompanhava Daphne foi até o Jardim, onde estava a Senhora di Frangipane, essa tinha olhos escuros, mas cabelos de ouro e era uma mulher alta. Juane disse:
- Senhora, ontem, ao estar na festa, pensei em algo que pode ser útil para o senhor e para o Senhor di Frangipane.
Senhora di Frangipane se virou para Juane e disse:
- Diga, Juane. Estou escutando.
- Depois da festa de ontem, passei a acreditar que o melhor partido para Daphne seria Arthur Terry.
- Falas do filho de Marcus Terry?
- Sim, senhora. Dele mesmo.
- Por que pensas isto?
- Ele é muito bem visto, vem de boa família e é muito belo. É ideal para Daphne!
- Tens toda a razão.
- Concordas comigo, senhora?
- Concordo sim, e te digo mais. Irei conversar com meu marido sobre o assunto.
- Agradeço a consideração, senhora.
- Não há o que agradecer, Juane. Para te mostrar o quanto tua opinião é importante para mim, irei falar com meu marido imediatamente.
- Agora?
- Sim, Juane. Agora, se me dá licença.
- Com todo gosto, senhora.
Senhora di Frangipane saiu andando pela imensa casa e depois de subir as escadas, chegou ao quarto onde se encontrava o Senhor di Frangipane, que era alto e tinha olhos verdes. Ela disse:
- Querido, gostaria de conversar com você.
- Estou aqui, já podes falar.
- Andando no jardim, cheguei a uma inesperada conclusão sobre Daphne.
- E a que conclusão chegastes?
- Que o melhor partido para nossa menina é Arthur Terry.
- O filho do Marcus?
- Ele mesmo.
- O que ele tem de especial?
- Ele é bem visto, ajuizado, vem de boa família e é um rapaz belo.
- Concordo contigo.
- O casará com nossa menina?
- Sim, querida, chame um escravo imediatamente, por gentileza.
- Está bem. Com licença.
- Toda.
Senhora di Frangipane foi buscar um criado enquanto Senhor di Frangipane escrevia uma mensagem. Até que um criado chegou e Senhor di Frangipane disse:
- Ordeno que leves esse bilhete até a residência da família Terry.
- Sim, senhor.
- Sabes onde fica?
- Sei sim, senhor.
- Então vá.
Senhor di Frangipane entregou o bilhete ao criado, que ao chegar na porta se curvou e partiu.
Enquanto isso, Daphne estava no quarto quando Juane entrou, ela disse:
- Juane! Então, como foi?
- Apenas conversei com tua mãe.
- O que ela disse?
- Que iria falar com seu pai imediatamente.
- Que bom, Juane. Agora já podes sair.
- Mas para onde?
- NÃO SEI PARA ONDE! VAI PARA ONDE QUISERES!
- Sim, Senhorita Daphne!
Juane fez a reverência e saiu.
Neste momento, Arthur estava com alguns amigos em um bar, era um lugar no qual só havia homens. Mulheres não podiam passar nem perto. Arthur só bebia água e se sentava acompanhado por três amigos. Ele estava ouvindo seu amigo Percival Middlesex falar. Percival tinha cabelos escuros e pele branca, ele não era bonito, mas muitas jovens se apaixonavam por ele, talvez pelo charme. Ele dizia:
- Quando eu me casar, não quero que minha esposa leia ou saiba escrever! Assim como todos os homens atuais!
- Tu tens é medo de que elas, as mulheres, fiquem mais inteligentes do que você! - disse Arthur desafiando seu melhor amigo
- E tu, será que deixaria que sua mulher soubesse ler?
- Claro que sim! Mas somente se eu fosse o encarregado de ensiná-la! - respondeu Arthur
Todos riram e Edgar Picklesouse disse:
- Então vamos tentar guardar na memória esse momento. E no futuro iremos cobrar, Arthur!
- Podem cobrar! Mesmo se não me cobrarem, eu irei fazê-lo!
- Tu estás se enrascando mais, Arthur! - disse Edgar, ele era um rapaz loiro e simpático, um machista de carteirinha
- Não estou enrascado! Cumpro o que digo! - disse Arthur
- Arthur, tu não estás noivo? - disse Percival
- Estou sim! Mas não a conheço.
- Então que tenha boa sorte! - disse Edgar
Os três olharam para o lado e viram Cyrano Albatross, que era o terceiro amigo que estava
junto a Arthur. Ele estava caído na mesa de tão bêbado. Ele tinha olhos azuis e cabelos pretos, e
isso atraía as mulheres, só que elas só viam se ele os abrisse, normalmente, os amigos o deixava em casa, pois ele sempre bebia. Os três se olharam com a cara de tristeza, sabendo que a triste rotina de levar Cyrano em casa, não tinha fim. Arthur disse sorrindo:
- Olhem o lado bom. Pelo menos ele está vivo.
- Isso é um lado bom? - disse Edgar
- Pensando bem, tem razão! - disse Percival
- Então pensem nos biscoitos que a Senhora Albatross nos oferece todos os dias, quando levamos o Cyrano. - disse Arthur sorrindo
Os três se olharam e disseram em coro:
- Hummmmmm!!!!!!!!
Se levantaram ao mesmo tempo e Arthur disse:
- Hora de começar a nossa penitência!
- Então mãos à obra, ou melhor, á bêbado! - disse Percival
Os três carregaram Cyrano até em casa e comeram deliciosos biscoitos de chocolate. Em seguida, Arthur foi para casa, no caminho observou um misterioso homem encapuzado, quem ele nunca tivera visto antes. Só que ao chegar em sua rua, avistou um criado na porta de sua casa conversando com seu criado, mas a conversa parecia não estar muito agradável. Arthur se aproximou e disse:
- O que há por aqui?
Seu criado se virou e disse muito nervoso:
- Senhor, esse moço não quer me entregar o bilhete.
- Que bilhete? - disse Arthur
- O senhor di Frangipane me enviou para entregar um bilhete para o senhor Terry! - disse o criado da família di Frangipane
- E por que não o entrega ao Paulo (Paulo era o criado de Arthur)?
- Devo entregar para alguém de confiança. - respondeu o criado
- Posso te afirmar que Paulo é um dos homens mais dignos que já conheci. Por gentileza, entregue o bilhete para ele! - disse Arthur
- Mas quem é o senhor? - disse o criado
- Sou Arthur Terry! Filho do Senhor Terry!
- Perdoe-me pela indelicadeza, senhor! - disse o criado envergonhado
- Entregue o bilhete! - disse Arthur friamente
- Sim, senhor!
O criado entregou o bilhete para Paulo e disse:
- Com licença, devo me retirar.
Quando o criado saiu, Paulo disse:
- Fico grato por ter me defendido, senhor!
- Não foi nada, Paulo. Eres um bom homem, conheço teu caráter.
- Agradecido, senhor!
- Então vá entregar esse bilhete.
- Sim, Senhor!
Paulo foi entregar o bilhete para Senhor Terry. Ao chegar no quarto de Senhor Terry, ele bateu na porta e disse:
- Com licença, senhor!
- Pode entrar, Paulo! - disse Senhor Terry
- O senhor di Frangipane lhe enviou este bilhete.
Paulo entregou o bilhete e disse:
- Com licença.
Paulo saiu e Senhor Terry abriu o bilhete, que dizia:
---------------------------------------
Meu querido amigo, gostaria de pedir que venha até minha casa
imediatamente e que traga seu filho, Arthur. Te
aguardo. William di Frangipane
---------------------------------------
Senhor Terry leu e chamou por Arthur, que em seguida apareceu. Senhor Terry disse:
- Arthur, onde estava, filho?
- Estava ajudando Edgar e Percival a levar Cyrano para casa.
- De novo embreagado?
- Como todos os dias.
- Bem, necessito de sua campainha.
- E para onde iremos?
- Iremos para a casa da família di Frangipane.
- De Daphne?
- Sim, de Daphne.
- Mas papai, sabes bem que não suporto Daphne e que mal consigo disfarçar!
- Arthur, não deves discutir comigo. Vamos.
- Tem razão, papai. Me perdoe.
- Sim, agora vamos.
Os dois foram para a casa da família di Frangipane e chegando lá, entraram e foram até o escritório do Senhor di Frangipane. Ao entrar no escritório, Senhor di Frangipane disse apertando a mão do Senhor Terry:
- Marcus! Fico feliz em vê-lo.
- Como estás, meu amigo? - disse Senhor Terry
- Estou bem e você?
- Estou indo.
Senhor di Frangipane se virou para Arthur, apertou sua mão e disse:
- E você, meu jovem?
- Estou muito bem, senhor! - disse Arthur
- Então sentem-se, por gentileza. - disse Senhor di Frangipane soltando a mão de Arthur
Todos se sentaram e Senhor di Frangipane disse:
- Acredito que tenham recebido meu bilhete.
- Sim! Recebi. - disse Senhor Terry
- Eu os convoquei aqui, porque sabes como é, não é, Marcos? Tenho uma filha e devo pensar em seu futuro. Estava a procura de um bom partido para minha filha. E ao observar os jovens de hoje em dia, não são mais como antigamente. Podes ver por exemplo, o filho do Senhor Albatross, um bêbado!
- Com o perdão da palavra, digo-lhe com toda certeza e clareza que Cyrano não é embreagado, mas sim, um inconformado. Desde que sua musa se casou, não é o mesmo. - disse Arthur bravamente
- Arthur, por gentileza, não interrompa o Senhor di Frangipane. - disse Senhor Terry
- Perdão. Continue. - disse Arthur com raiva
- Então olhei para a cidade e logo pensei, o melhor partido para Daphne, é Arthur! Marcus, gostaria de suplicar-lhe que o case com minha menina. - disse Senhor di Frangipane
- Espere um momento! Isso é impossível! Arthur já é noivo! - disse Senhor Terry
- Tem certeza, Marcus? - disse Senhor di Frangipane
- Digo-lhe com toda certeza e precisão. - disse Senhor Terry
- Se é assim, peço perdão por meu engano. - disse Senhor di Frangipane envergonhado
- Suponho que possamos ir. - disse Arthur friamente
- Filho, não seja tão frio com meu amigo. - disse Senhor Terry
- O rapaz tem toda a razão! Por tanto, podem ir. Estou muito encabulado. - disse Senhor di Frangipane tristemente
- Até mais! - disse Arthur saindo da sala sem nem sequer abraçar Senhor di Frangipane
Esse, se levantou e abraçou Senhor Terry, que saiu em seguida.
Lá fora, Senhor Terry disse para Arthur:
- Filho, estou decepcionado com teu comportamento! Me deixaste encabulado!
- Papai, não havia mais o que fazer. Ele ofendeu meu amigo e em seguida, ele tentou que eu noivasse com sua filha, pela qual não tenho nenhuma simpatia!! - disse Arthur
- Filho, concordo que defendas seu amigo, mas ao menos seja cortes! - disse Senhor Terry
- Perdoe-me, meu pai. - disse Arthur abaixando a cabeça
Senhor Terry iria responder, só que, Arthur trombou em um homem encapuzado, que caiu ao lado de Arthur, que também caiu. Arthur rapidamente se levantou e estendeu a mãe para o homem encapuzado. Arthur disse:
- O senhor está bem?
Foi aí que ele notou que o homem tinha barba, embora não pudesse ver sua face, já que estava coberta pelo capuz. Arthur continuava com a mão estendida, até que o homem segurou e disse:
- Estou bem.
- Perdão, eu estava distraído e...
- Não precisa se desculpar, jovem.
- Então o senhor está bem, de verdade, certo?
- Correto, correto!!
O homem saiu correndo e e tropeçou mais adiante, mas não caiu. Arthur sorriu, achando graça naquele homem tão desastrado. Arthur começou a caminhar com seu pai, que disse:
- Sujeito anormal este. Não acha, meu filho?
- Sim, meu pai. Mas me aparenta ser um bom homem.
- Espero que seja! De pessoas más o mundo está lotado! Por falar em maldade, meu filho, ouvi comentários na rua de que o conflito entre a França e a Inglaterra, ainda não se deu por terminado, fazem 65 anos que esta guerra acontece e eu me pergunto se isso irá ter fim!
- Senhor meu pai, um lado terá que se render alguma hora e tudo isso acabará.
- Espero que essa hora esteja próxima, meu filho!
- Está, estou certo disso!! Papai, devo ir.
- Irás para casa?
- Sim, irei para casa. Uma bela dama me espera!
- Espero que essa, seja sua mãe!
Arthur sorriu e correu.
Enquanto isso, Elisa estava se arrumando em seu quarto, Maria penteava seus cabelos. Elisa disse:
- Maria, será que devo ir?
- Sim, meu bem! Desves ir! Estou de apoiando.
- Está bem!
- Mas, ele marcou para que fosse ao pôr-do-Sol!
- Sim, estou consciente disso! Mas desejo colher flores antes da chegada dele.
- Está certa, querida!
- Se meus pais perguntarem, tu dizes que fui colher flores, pois só assim...
- Só assim, estarei mentindo e contando a verdade ao mesmo tempo! Já me disseste isso isso umas três vezes!
- Agora devo ir!
- Está bem!
Elisa se levantou e abriu a porta do quarto, mas Maria disse:
- Elisa!! E a cesta para colher flores?
- Como sou distraída! Deixei em cima da cama!
Elisa correu e pegou a cesta, em seguida, parou em frente à Maria e disse:
- Não sei o que seria de mim sem você, Maria!
Dando um beijo na bochecha de Maria, Elisa saiu.
Arthur chegou em casa, avistou sua mãe, que gritou:
- Arthur!! Filho, venha até aqui!
Arthur foi, deu um beijo no rosto de sua mãe, que disse:
- O que o Senhor di Frangipane desejava?
- Mamãe, a senhora não irá acreditar! Ele queria que eu noivasse com Daphne.
- Mas tu já é noivo!
- Foi o que papai disse para ele! Agora devo me arrumar!
- Irás sair?
- Não! Digo, sim!
- E aonde irá?
- No monte das flores!
- O que irás fazer?
- Colher flores para a minha estimada mãe!
- Então vou contigo!
- Não!! Digo, é que papai está chegando e não gostará de ficar sozinho em casa!
- Estás certo. Devo permanecer aqui.
- Isso!
- Então vá se arrumar, filho!
- Sim, mamãe!
Arthur correu para o quarto e trocou de roupa. Em seguida, saiu.
Elisa, já estava no Monte das Flores. Colhia flores e cantava docemente:
“Flores minhas queridas,
devo lhes dizer,
que ele era tão bonito,
quanto se pode ser!
Foi um momento curto,
devo afirmar,
Arthur é o homem da minha vida,
de longe posso notar!”
Arthur estava lá, parado, ouvindo a mais bela canção que já pensara ouvir.
Na casa di Frangipane, Juane havia sido chamada por Senhora di Frangipane. Ao chegar ao quarto de Senhora di Frangipane, Juane disse:
- Pois não, senhora?
- Juane, é com tristeza que te digo que Daphne não pode noivar Arthur.
- Com o perdão da palavra, por qual motivo, senhora?
- Conversei com meu marido e esse, convocou Arthur e Senhor Terry para virem até aqui.
- E o que aconteceu?
- Arthur já é noivo.
- Oh! - disse Juane pondo as mãos na boca - Senhora, por favor, me perdoe! Não foi minha intenção causar constrangimentos!
- Bem sei de suas intenções, Juane! Não deves se desculpar!
- Fico grata, senhora!
- Por isso te chamei aqui, para te comunicar o acontecido, apenas isso. Pode ir.
Juane saiu espantada e foi até o quarto de Daphne. Na hora que Juane entrou, Daphne disse:
- O que minha mãe queria, Juane?
- Ele é noivo.
- Juane, te fiz uma pergunta!
- Ela queria me comunicar que tu não podes noivar com Arthur.
- E por qual motivo??
- Ela me disse que teu pai o convocou aqui e eles conversaram.
- Te perguntei o motivo!
- Bem, é que, ele já é noivo.
Daphne se sentou em sua cama. Era um grande susto.