Peça - As Encalhadas
NARRADORA 2: Todas as tardes...
NARRADORA 1: Sempre no mesmo horário..
NARRADORA 2: Por todos esses anos...
NARRADORA 1: Dia após dia..
NARRADORA 2: Formando uma incansável rotina. (vão para o meio do público)
NARRADORA 1: Para quê? Pra rezar, uai! Rezar pra arrumar namorado, gente!
NARRADORA 2: Mas ocês pensam que elas rezam mêss?
NARRADORA 1: Elas gostam mesmo é de falar da vida alheia!
NARRADORA 2: E de falarr de certos desencantos da vida... (se viram para a mesa)
As quatro estão sentadas em cadeiras junto à mesa. Um Santo Antônio está na mesa.
AUGUSTA: Minina, como tá difícil arrumar marido!
ZEFINHA: Só mermo esse São João para nos sarvar!
AUGUSTA: Já pedi tanto pra ele e ele num sarva! Pru quê que ele ia sarvar ocê? Ocês sabiam que ele foi um dos primeiros discípulos de Jesus??
JOAQUINA: Foi mermo, mulé? Vixe Maria!!! Conta essa históra!
AUGUSTA: Pois foi! Juntamente com seus irmãos Tiago e Pedro!
SERAFINA: Eita! Ocês sabiam que ele que escreveu “O Apocalipse” do Novo Testamento?
AUGUSTA: Ah, eu já sabia! Sei de tudo sobre a vida do homi!
ZEFINHA: Pois eu num acredito! Pru quê num tem nada provado! Muito menos que ele era o “discípulo amado” de Jesus! Eu sou mais chegada a São Pedro!
AUGUSTA: Pois fale logo dele já que ocê é a sabidona!
ZEFINHA: E digo mermo! Ele se chamava na verdade Simão e foi Jesus que deu o nome de Pedro pra ele.
AUGUSTA: Ah, pois eu sei que foi ele que escreveu o segundo evangelho de Matheus!
ZEFINHA: Ah, Augusta, não me amola!
AUGUSTA: E ocê calada, Zefinha!
Augusta se vira para um lado e Zefinha para o outro.
JOAQUINA: Calma!! Calma!! Vamos falar de Santo Antônio que ele há de nos desencalhar!
SERAFINA: E o que é que ocê sabe sobre ele, Joaquina?
JOAQUINA: Eu sei muita coisa!! Primeiro: ele era um franciscano que entrou para o mosteiro de São Vicente de Fora. Ele tomou hábito e desembarcou na África onde passou um ano em trabalho de catequese. Depois foi pra Itália. Ele virou pregador, depois leitor e depois professor de teologia em um convento!
SERAFINA: Pois eu sei que em portugal ele é chamado de Santo Antonino e que sobre o seu túmulo se ergueu a grande basílica Del Santo.
JOAQUINA: Ele é um dos santos de maior devoção popular, invocado pra encontrar casamentos e objetos perdidos!
SERAFINA: Não! Para achar coisas perdidas já é o São Nunguinho!
JOAQUINA: Mas o povo perde coisa demais! Tem que ter dois! E já que ocê é tão aperriada, peça pra ele ajuda pra encontrar marido!
JOAQUINA: Você está mais encalhada do que eu, Serafina!
SERAFINA: Problema meu, Joaquina!
Joaquina se vira para um lado e Serafina para o outro.
NARRADORA 1: Ai gente, será que elas vão passar o dia assim? (cara de tédio)
NARRADORA 2: Aí não tem mais peça! (triste)
NARRADORA 1: Aquela ali não seria a Ambrósia? (feliz)
NARRADORA 2: Mas num é que é ela mêss?
NARRADORA 1: Será que ela vai pôr fim nesse conflito? O que ocês acham?
NARRADORA 2: E ela põe mesmo!
NARRADORA 1: Mas em compensação...
NARRADORA 2: Ela cria outro maior ainda!
Ambrósia chega (por trás de Augusta) sorridente e diz:
AMBRÓSIA: Oi gente!
AUGUSTA: Arri, Ambrósia! Ocê só dá susto na gente!
AMBRÓSIA: Ochente! E deu pra se assustar com vento foi Augusta?
AUGUSTA: Pára de grosseria, Ambrósia!
AMBRÓSIA: Antes grosseira do que brigona!
AUGUSTA: Eu, brigona?
AMBRÓSIA: Não! Eu!
AUGUSTA: Ah sim! Ocê é mêss!
AMBRÓSIA: Não fala mais comigo, Augusta!
AUGUSTA: Isso não vai ser difícil!
(Augusta senta de costas para Ambrósia)
JOAQUINA: Arri, mas ocê é briguenta mêss heim Ambrósia?
AMBRÓSIA: Antes briguenta que intrometida!
JOAQUINA: Ocê num sabe com quem tá bulindo! Até parece a dona Ricarda! Briguenta que só ela!
AMBRÓSIA: Agora ocê tá me ofendendo!
JOAQUINA: E ocê já me ofendeu demais!
(Joaquina se senta de costas pra Ambrósia)
ZEFINHA: E ocê só se atrasa, Ambrósia! Enguliu o relógio?
AMBRÓSIA: Não, mas se ocê me amolar mais te faço engolir agorinha mêss!
ZEFINHA: Só ocê mesmo! Chega atrasada e já chega arrumando briga!
AMBRÓSIA: Por acaso ocê tá me chamando de barraqueira?
ZEFINHA: Nossa que a mié tá lenta mesmo hoje! Quer que eu desenhe?
SERAFINA: Arri gente! Vamo parar de briga aqui na frente do santo?
ZEFINHA e AMBRÓSIA: Cala a boca, Serafina!
SERAFINA: Arri, eu só queria ajudar!
ZEFINHA e AMBRÓSIA: Pois pare de atrapalhar!
As cinco se sentam de costas umas para as outra.
NARRADORA 1: Arri que essas moças só fazem brigar gente!
NARRADORA 2: Brigar e fofocar!
15 segundos em silêncio.
JOAQUINA: EITAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!
As quatro quase caem.
AUGUSTA: Perdeu o juízo, mulé??? Dando susto na gente!!
SERAFINA: Joaquina!!! Ocê é de tirar a mama de minino novo!
AMBRÓSIA: Meu coração até acelerou!
ZEFINHA: Quer me matar, Joaquina???
JOAQUINA: Minha gente, que nervosismo é esse?? Me lembrei da minha viajem para Pernambuco!!
ZEFINHA: E o que tem essa viajem? Que quase nos mata do coração!
JOAQUINA (animada): Tem que Pernambuco tem as festas Caruaru que atrai muitos turistas! Dizem que é o maior São João do Brasil e é conhecida como a Capital do Forró!!!
AUGUSTA: Pois eu prefiro a Bahia!! Vou pra lá esse ano! E lá tem o Candomblé que homenageia os orixás misturando com os rituais católicos.
JOAQUINA: Grande coisa! Sou mais meu Pernambuco!
AUGUSTA: Lá na Bahia tem samba de roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas variadas além de bandas de axé music espalhadas pelas ruas durantes os festejos juninos! Além da influência africana que tem por lá!
ZEFINHA: É mermo! Lá é mais meiór!
JOAQUINA: E ocê num se intrometa, Zefinha!!
Duas moças passam por lá.
AUGUSTA: Eu queria ser igual a elas pru quê elas tem namorado!
SERAFINA: Pois eu sou mais eu!
JOAQUINA: Cum esses dentes podrese cabelos assanados??? Se enxerga, muié!!
AMBRÓSIA: Eu queria ser igual a elas também!
Joaquina se vira de costas. As duas meninas param e olham para trás:
MOÇA 1: Ai como eu queria ser como elas!
MOÇA 2: E eu também!
MOÇA 1: Elas são lindas, gente!
MOÇA 2: Devem de tá cheias de namorados.
MOÇA 1: Tudo bem que estão mal-vestidas, mas são lindas, gente!
MOÇA 2: E nós estamos aqui... Feias e sozinhas!
Saem abraçadas e tristes.
NARRADORA 1: Arri que quem queria ter namorado era eu...
NARRADORA 2: E eu menina? Não namoro faz 6 mêis! Mas ocê num tinha namorado?
NARRADORA 1: Falou bem, amiga! Tinha... Nós acabamos!
NARRADORA 2: Gente do céu! Parece que nóis tamo é mais encalhada do que as personagem!
NARRADORA 1: Será que eu ainda vou encontrar um namorado?
NARRADORA 2: E eu? Acho que não arrumo pruquê falo dem... Mais menina, a gente fujiu da história que eu nem percebi! Bom, voltando à nossa história...
NARRADORA 1: A confusão se almentava cada vez mais..
NARRADORA 2: Então alguém tinha que quebrar o gelo!
NARRADORA 1: E esse alguém tinha que ser...
NARRADORA 2: Tinha que ser Zefinha, gente!
Zefinha se vira para as outras.
ZEFINHA: Ocês nem sabem da maior!! Achei a oração pra nóis desencalhar!
AUGUSTA: E foi, muié??? Como é??
ZEFINHA: Joaquina! Vire pra cá que nós vamos rezar juntas!
Joaquina se vira e as cinco lêem juntas:
“Santo Antômio do céu,
Nos ajuda a desencalhar,
A vida está difícil
E precisamos da sua ajuda
Tanto na terra como no céu
Vem nos ajudar!
Perdoa nossos pecados
Encobre nossa feiura
E que os homens vejam
em nós a beleza que não
existe.
Amém!”
SERAFINA: Depois dessa nóis desencalha! É só ter fé!
AMBRÓSIA: Fé e esperança!
JOAQUINA: Pois é, minha gente! Eu já vou!
AUGUSTA: Vamos todas juntas!
ZEFINHA: E amanhã nóis volta! Como fizemos ontem!
SERAFINA: E anteontem!
AUGUSTA: E antes de anteontem!
JOAQUINA: E todos os dias! Em que passamos da manhã até a noite orando!
AMBRÓSIA: Espera, gente! Eu tenho uma baita novidade!
JOAQUINA: Fala logo, que eu tô curiosa!
AMBRÓSIA: Vai ter a festa da quadrilha.
SERAFINA: E se a gente vai e arruma namorado lá?
AUGUSTA: Ai, eu vou! Mas quando vai ser?
AMBRÓSIA: Hoje mesmo, gente! Daqui a pouco!
ZEFINHA: Então vamos nos arrumar! Afinal nós vamos ou não vamos pra essa festa?
GRITAM todas: Vamos!
As cinco saem.
NARRADORA 1: Ai, amiga! Bem que eu queria ir pra essa festa!
NARRADORA 2: Será que nós desencalhava?
NARRADORA 1: Eu acho que não... Os homens só querem as bonitas!
NARRADORA 2: Ah, mas eu queria tanto ir...
NARRADORA 1: Então vamos, uai! Mas sem esperanças viu? A gente num vai arrumar namorados mêss!
NARRADORA 2: Ow, vida injusta! Assim perdi a vontade de ir!
NARRADORA 1: Então também num vou!
As duas ficam tristes.
As cinco voltam lindas e cinco rapazes se aproximam...
RAPAZES: Nos daria o prazer da dança, senhoritas?
As cinco se olham felizes e respondem:
MENINAS: Claro, meninos!
As cinco dançam.
NARRADORA 1: Arri que essa oração é danada de boa, gente!
NARRADORA 2: É! Vou até anotar pra mim!
NARRADORA 1: Ai, anota pra mim também!
NARRADORA 2: Já tô indo, mulher! Ocê é muito da apres..
Um rapaz se aproxima da narradora 2.
RAPAZ 1: Me daria a honra da dança, senhorita?
NARRADORA 2: Ai que a oração fica pra depois por motivo de força maior! Mas é claro rapaz!
Os dois saem sorrindo.
NARRADORA 1: Que vida injusta, gente! Até ela arrumou alguém e eu...
RAPAZ 2: Moça, dança comigo?
NARRADORA 2: Nem precisa repetir a pergunta, homem! Já estou aí!
Os dois vão dançar.
RAPAZES 3 e 4: Moças, nos daria a honra?
MOÇAS 1 e 2: Claro, gente!
Todos dançam a quadrilha.
As nove vão abraçadas cantando:
“Desencalhadas sim!
Nós vencemos! Muito obrigada, meu pai!
E ao Santo Antônio que nos ajudou a encontrar um
bom rapaz!!” (no ritmo de românticos – cantado por Dona Florinda e Professor Girafales no
Chaves)
NARRADORA 1: Mas ocês pensam que depois de essas moças arrumarem namorado a cidade de "Deus nos acuda" ficou mais sossegada?
NARRADORA 2: Que nada, gente! Aí é que foi um Deus nos acuda maior ainda!
Elas saem.
Fim!
Ellen Borges Tenorio Galdino
Capítulo IV
Daphne estava muito espantado com o que acabava de ouvir. Ela olhou para a janela de
seu quarto e, quando uma lágrima saiu de seus olhos, ela disse:
- Ele nunca será feliz com outra!
Juane se a ssustou com as palavras de Daphne e disse:
- Daphne, o que irás fazer?
- Se ele não for meu, não será de ninguém! Irei descobrir quem é ela!
- Mas como, Daphne? Ninguém sabe! Só os pais dos noivos!
- Eu irei fazer algo!
- Não chore, querida!
- Não estou chorando!
Daphne enxugou as lágrimas e gritou:
- AGORA SAIA DAQUI! JÁ!
Juane saiu chorando do quarto.
Enquanto isso, no Monte das Flores, Elisa colhia rosas cantando, até que, ao dizer o segundo verso da segunda estrofe (“Arthur é o homem da minha vida, de longe posso notar!”), Arthur chegou, e, muito feliz com o que havia escutado, cantou:
“Sei que as estrelas,
não posso contar.
Mas sei também que a mais brilhante,
ao meu lado está!”
Ao ouvir a voz de Arthur, Elisa sorriu, não se virou, assim, ficou de pé com sua cesta cheia de flores, ela fechou os olhos e continuou cantando:
“Sei que eu não
Devia te comunicar,
Mas hoje sinto que ao seu lado,
É o meu lugar!”
Arthur sorriu e cantou:
“Meu anjo tão gracioso,
Devo lhe afirmar,
que nosso caminho
traçado já está.”
Ele caminhou em sua direção e ia cantando enquanto caminhava:
“E que felizes para sempre
nós iremos ser.
Te amo mais do que é possível,
isso posso te dizer.”
Arthur já estava muito próximo de Elisa, ele toca seus cabelos cuidadosamente. Elisa se vira e diz:
- Arthur! Não achei que viesses!
- E eu consigo viver sem teus olhos?
- Olhos castanhos, comuns.
- Nenhum olho é comum se possuir seu olhar.
Elisa sorriu envergonhada. Arthur sorriu também e disse:
- Apenas por esse sorriso, estou satisfeito por vir aqui.
Elisa sorriu novamente e disse tentando mudar de assunto:
- Já olhastes as flores hoje? Estão mais belas.
- De todas, és tu a mais bela.
- Arthur, eu vou me sentar, estou cansada.
- Está bem, claro!
Elisa se sentou na grama e se encostou em uma árvore. Arthur sentou ao seu lado e disse:
- Vens todos os dias?
- Sim, adoro colher flores.
- Vejo que acabo de descobrir o encanto das flores.
- O encanto das flores?
- Para mim, as flores são encantadoras, mas acabo de descobrir o verdadeiro encanto.
- E qual é?
- É você, as colhendo e cantando.
Elisa sorri e diz envergonhada:
- Amo a música.
- Eu também, principalmente depois do nosso “dueto”.
- Cantas muito bem.
- Tu cantas melhor, sem sombra de dúvida. Mas, pra ser sincero, prefiro a leitura.
Elisa olhou para o chão calada e Arthur disse:
- Perdoe-me! Havia esquecido que mulheres não são ensinadas a ler. Mas eu...
Elisa olhou para Arthur e disse:
- Tu?
- Eu posso te ensinar a ler!
- Meu pai não me permite, sinto muito.
- Não necessito que contes para seu pai.
- Queres dizer, ocultamente?
- Isso! O que achas?
- Não sei, devo pensar.
- Está bem.
- O céu está lindo.
- Não! Tu é que está! - disse Arthur olhando apaixonadamente para Elisa
Elisa olhou para Arthur e sorriu. Arthur disse:
- Se eu pudesse escolher uma noiva, se ria tu, com toda a certeza.
- Eu te escolheria também.
- Estás falando sério?
- Sim, mas não sei se devo!
- Sé que eu posso segurar tua mão outra vez?
- Outra vez?
- Já a segurei no baile, recorda?
- Sim, claro.
- Posso segurá-la novamente?
- Está bem.
Arthur segurou a mão de Elisa sem parar de olhar seus olhos. Elisa disse:
- Está entardecendo.
- Tem razão. - disse Arthur soltando a mão de Elisa
- Devo ir.
- Deseja que eu te acompanhe?
- Não, fico grata!
- Está bem.
- Até logo.
Elisa se levantou e Arthur se levantou também, segurou sua mão e disse:
- Pode voltar amanhã?
- Ao entardecer?
- Sim!
- Está certo, voltarei.
- Até logo, meu anjo.
Arthur deu um beijo na testa de Elisa, que ficou surpresa e foi embora.
Elisa foi para casa e, ao chegar, Maria a recebeu e disse:
- Elisa, meu bem. Vamos subir! Seus pais estão à sua procura.
- Está bem!
Elisa foi com Maria até seu quarto e lá, Maria fechou a porta, se sentou na cama de Elisa e disse:
- Então, meu bem? Como foi?
- Foi maravilhoso, Maria.
- Troussestes as flores?
- Sim, aqui estão.
Elisa entregou a cesta para Maria, que disse:
- O que se passou????
- Primeiramente eu colhia flores cantando, até que ele chegou e cantou comigo.
- Ai, que romântico! - suspirou Maria
Elisa riu e disse:
- Depois, ele vinha cantando e tocou meus cabelos.
- Elisa! Permitiste??
- Não, ele não me pediu permissão.
- Mas que despudorado!
- Não, Maria! Ele não é despudorado.
- Está certa. Continue.
- Me sentei encostada em uma árvore e ele também.
- Ele sentou-se contigo?
- Ao meu lado.
- Está bem.
- Ele me disse coisas tão bonitas! - disse Elisa sorrindo
Elisa se sentou ao lado de Maria, que disse:
- Que coisas?
- Que de todas as flores eu era a mais bela.
- Como ele é romântico! - suspirou Maria
- Ele me fez uma proposta.
- Que proposta?
- Ele deseja me ensinar a ler e escrever.
- Menina!!! Mas como ele imagina fazer isso?
- Acredito que faria isso no Monte das Flores.
- E tu queres?
- Quero! Mas não sei se devo.
- É evidente que deve!!
- Tu achas?
- Sim! Quantas mulheres tem a sorte de saber ler e escrever?
- Tens razão.
- Quando irá vê-lo novamente?
- Amanhã.
- Onde?
- No Monte das Flores ao pôr-do-Sol.
- Amanhã irei caminhar na rua.
- Que bom!! Posso ir com você?
- Meu amor! Eu já iria te chamar! É evidente que podes!!!
- Fico grata, Maria.
- Amanhã bem cedo!
- Está certo!
- Então agora vai se arrumar para o jantar, seus pais te aguardam.
- Sim, está bem.
Elisa se arrumou e em seguida foi jantar.
Enquanto isso, Arthur chegava em casa muito feliz. Ele jantou e foi dormir pensando em Elisa, que também foi dormir pensando nele.
No dia seguinte, Arthur se acordou cedo e foi para o bar, encontrar com os amigos. Cyrano, Edgar e Percival já estavam lá. Para a alegria de Arthur, Cyrano ainda não estava bêbado, isso queria dizer que ele estava com bom humor. Todos olharam para Arthur sorrindo, Arthur chegou e Edgar disse:
- Onde estavas ontem?? Com alguma dama?
Percival sorriu e disse:
- Devemos perguntar primeiramente o que houve na casa di Frangipane! Avistei-te entrando lá ontem, eu estava na casa de Cyrano. O que houve?
- Quando isso se passou?? Eu não consigo relembrar de nada. - disse Cyrano atrapalhado
- Não será porque você estava bêbado? - disse Edgar rindo
- Isso não é importante! Arthur, então, o que se passou??? - disse Percival
Arthur se sentiu bombardeado por perguntas. Ele se sentou e disse:
- Por gentileza, uma pergunta da cada vez.
- Pois não! O que estavas fazendo na casa di Frangipane?? - disse Edgar
- Meu pai e eu fomos convocados para comparecer lá. - disse Arthur
- E por qual motivo?? - disse Cyrano curioso
- O senhor di Frangipane gostaria que eu noivasse com Daphne. - disse Arthur com raiva
- E tu estás noivo dela? - disse Percival
- Não seria correto! - disse Arthur
- Por qual motivo?? - disse Edgar
- Já sou noivo. - disse Arthur
- Por qual pedaço de mal caminho pegastes o rumo?? - disse Percival
- Percival, não fale assim de damas! - disse Cyrano
- Então, Arthur? Quem é sua perdição? - disse Edgar
- Não sei. - disse Arthur
- Era uma prometida? - disse Percival
- É! Acredito que sim! - disse Arthur
- Mas onde estavas ontem de tarde?? - disse Edgar
- Suponho que com uma dama. - disse Percival
- Eu já volto! - disse Cyrano se levantando e andando pelo bar
- Então, onde estava? - disse Edgar
- Com uma dama, sim. - disse Arthur
- E como se chama? - disse Percival
- Eu não sei! Não sei seu nome, só sei que a amo. - disse Arthur
- Arthur, vai dizer que não perguntou o nome dela?? - disse Edgar sorrindo
Arthur riu e disse:
- Sim.
- Mas tu és muito distraído!!! - disse Percival
- Eu me esqueci! - disse Arthur colocando a mão na testa, de cabeça baixa e rindo
- Mas ela é bela? - disse Percival
- Como os anjos! - disse Arthur
Arthur sorriu se lembrando da música e do Monte das Flores. Até que Percival disse:
- Onde está Cyrano?
Os três se olharam e se levantaram.
Enquanto isso, Elisa saia com Maria, as duas fecharam os portões e começaram a andar pela rua conversando.
Já Arthur, estava procurando Cyrano com seus amigos, ao olhar bem, Cyrano já havia conseguido sem embreagar. Ele estava deitado no balcão, totalmente bêbado. Os três se olharam rindo, seguraram Cyrano e saíram do bar. Arthur e Edgar carregavam Cyrano e Percival só andava falando sossegadamente. Até que, Arthur viu Elisa, que também o viu, os dois trocaram olhares e sorrisos, mas Elisa colidiu com um homem encapuzado e os dois caíram. Arthur falou:
- Oh, meu Deus!!!
Ele correu, soltando o braço de Cyrano, que quase cai. Arthur estendeu a mão para Elisa e disse:
- Você está bem???
- Sim! - disse Elisa sorrindo, feliz em vê-lo
Ele sorriu para ela, olhou para o homem encapuzado, que, por coincidência era o mesmo que havia colidido com ele outro dia. Arthur disse:
- O senhor, precisa ter mais atenção.
O homem sorriu e Arthur disse:
- Nos encontramos de novo! Deve ser destino! - disse Arthur sorrindo
O homem se virou e saiu dizendo:
- Tudo são números! Tudo são números! Tudo são....
Arthur olhou para Elisa sorrindo, então chegou Maria, que no momento estava comprando frutas. Maria disse:
- O que está se passando por aqui?
- Perdão, senhora! Eu vi a senhorita – disse Arthur olhando para Elisa – cair e vim ajudá-la a levantar.
- Meu amor, você caiu??? - disse Maria
- Foi só um tombo! - disse Elisa sem conseguir tirar os olhos de Arthur
- Então você já está bem. - disse Arthur sorrindo
- Sim, graças a você. - disse Elisa
- Se necessitar de ajuda, podes me chamar! - disse Arthur
- Obrigada, filhinho! - disse Maria
- Arthur, podes me chamar de Arthur.
Então Maria entendeu tudo. Elisa disse:
- Até mais, Arthur!
- Até mais, meu, digo meus anjos! - disse Arthur
Arthur saiu e Maria disse:
- Esse é o Arthur???
- Ele já te disse que sim! - disse Elisa
- Mas, o seu Arthur?
- É.
- Querida, ele é realmente muito belo!
- Achas mesmo?
- Acho!
- Maria, acredito que estou apaixonada!
- Queres saber o que penso?
- Claro que sim!
- Acredito que ele também!
- Acreditas mesmo?
- É evidente que sim!! Ele te ama, de verdade!
- Deus te ouça, Maria! Deus te ouça!
Enquanto Elisa, que permanecia parada conversando com Maria, Arthur correu até seus amigos, que estavam parados à sua espera. Edgar disse:
- És um tonto, Arthur! Não beijaste a mão da dama e nem a de sua ama!
Arthur bateu em sua própria testa, olhou para trás e disse:
- Céus! Como sou atrapalhado!!
Em seguida, Arthur correu e alcançando Elisa e Maria, ele segurou a mão de Maria e disse:
- Perdoe-me pela indelicadeza, senhora!
Arthur se abaixou e beijou a mão de Maria (que estava coberta por uma luva), que se espantou com a gentileza já que, uma ama não era acostumada com isso. Arthur sorriu olhando para Maria e disse:
- Perdão, sou muito distraído!
Então ele se virou para Elisa, olhou dentro de seus olhos sorrindo e disse:
- Perdoe-me senhorita!
Arthur beijou a mão de Maria , que também estava com uma luva. Sorriu e disse:
- Agora devo ir! Até mais ver!
Elisa sorriu e Arthur foi embora. Quando ele saiu, Maria disse:
- Elisa, que moço gentil!!
- Ele é um cavalheiro! - disse Elisa
- É realmente um bom moço! - disse Maria
- Por isso me apaixonei por ele.
- Depois disso te apoio totalmente!
- Fico grata, Maria!
- Agora devemos ir, ou pensarão que não temos juízo. Por ficarmos aqui paradas.
- Tens toda a razão, Maria!
As duas foram andando. Já Arthur, alcançou seus amigos. Percival, que já estava com mau-humor por te que carregar Cyrano, mesmo que por poucos minutos, disse:
- Será que não podias deixar galanteios para depois??
- Perdão! Eu não havia sido cavalheiro! - disse Arthur voltando a carregar Cyrano
- Arthur, ela está apaixonada por ti. - disse Edgar
- Quem? - disse Arthur
- A moça que ajudastes a levantar! - disse Edgar
- Achas mesmo? - disse Arthur sorrindo, sem conseguir esconder a felicidade que sentia por ouvir aquilo
- Sim, mas por qual motivo meu estimado amigo estaria tão feliz em ouvir isso?? - disse Edgar
- Eu a amo. - disse Arthur
- Então foi com essa que passastes a tarde?? - disse Percival
- Foi. - disse Arthur
- É uma bela dama. - disse Percival
- É, ela é diferente! - disse Arthur
- Arthur apaixonado! Nunca imaginei presenciar isso! - disse Edgar rindo
- Sua hora chegará! - disse Arthur sorrindo
- Que bom que estou livre disso! - disse Percival
- Percival, o amor não é uma maldição! - disse Edgar
- De certa forma sim! - disse Arthur
- Mas, achei que pensavas que o amor fosse um dom! - disse Percival
- Também! - disse Arthur
- Só podes estar louco! - disse Edgar rindo
- Talvez. - disse Arthur sorrindo
- Arthur, está nos assustando! - disse Percival
- Não precisam usar essas expressões! - disse Arthur olhando seus amigos, que o olhavam
cara de espanto
- Então explique-se! - disse Edgar
- O amor é isso! Um dom, uma maldição! Uma mistura de tudo! É um dom porque purifica a alma e uma maldição porque nos prende totalmente naquela pessoa e nos faz ingênuos e até burros em determinadas situações. Assim como tudo no mundo, o amor tem duas faces, ou seja, não há nada no mundo que não se torne mais fácil ou difícil dependendo do jeito que você olhe. - disse Arthur
- Belas palavras, meu caro! Belas palavras! - disse Percival dando um tapinha nas costas de Arthur
Finalmente eles chegaram na casa de Cyrano, entraram e tomaram um chá. Depois, Arthur foi para casa. Enquanto isso, Elisa chegava em casa com Maria e foi almoçar.
Na casa di Frangipane, Daphne estava em seu quarto e havia chamado Juane, que chegou rapidamente. Juane disse:
- Me chamou, Daphne?
- Sim!
- Pois não, meu bem.
- A partir de amanhã, irás seguir Arthur!
- Mas como assim???
Juane estava muito assustada com o que acabava de ouvir.
Capítulo III
No dia seguinte, na casa dos di Frangipane, Juane, a ama que acompanhava Daphne foi até o Jardim, onde estava a Senhora di Frangipane, essa tinha olhos escuros, mas cabelos de ouro e era uma mulher alta. Juane disse:
- Senhora, ontem, ao estar na festa, pensei em algo que pode ser útil para o senhor e para o Senhor di Frangipane.
Senhora di Frangipane se virou para Juane e disse:
- Diga, Juane. Estou escutando.
- Depois da festa de ontem, passei a acreditar que o melhor partido para Daphne seria Arthur Terry.
- Falas do filho de Marcus Terry?
- Sim, senhora. Dele mesmo.
- Por que pensas isto?
- Ele é muito bem visto, vem de boa família e é muito belo. É ideal para Daphne!
- Tens toda a razão.
- Concordas comigo, senhora?
- Concordo sim, e te digo mais. Irei conversar com meu marido sobre o assunto.
- Agradeço a consideração, senhora.
- Não há o que agradecer, Juane. Para te mostrar o quanto tua opinião é importante para mim, irei falar com meu marido imediatamente.
- Agora?
- Sim, Juane. Agora, se me dá licença.
- Com todo gosto, senhora.
Senhora di Frangipane saiu andando pela imensa casa e depois de subir as escadas, chegou ao quarto onde se encontrava o Senhor di Frangipane, que era alto e tinha olhos verdes. Ela disse:
- Querido, gostaria de conversar com você.
- Estou aqui, já podes falar.
- Andando no jardim, cheguei a uma inesperada conclusão sobre Daphne.
- E a que conclusão chegastes?
- Que o melhor partido para nossa menina é Arthur Terry.
- O filho do Marcus?
- Ele mesmo.
- O que ele tem de especial?
- Ele é bem visto, ajuizado, vem de boa família e é um rapaz belo.
- Concordo contigo.
- O casará com nossa menina?
- Sim, querida, chame um escravo imediatamente, por gentileza.
- Está bem. Com licença.
- Toda.
Senhora di Frangipane foi buscar um criado enquanto Senhor di Frangipane escrevia uma mensagem. Até que um criado chegou e Senhor di Frangipane disse:
- Ordeno que leves esse bilhete até a residência da família Terry.
- Sim, senhor.
- Sabes onde fica?
- Sei sim, senhor.
- Então vá.
Senhor di Frangipane entregou o bilhete ao criado, que ao chegar na porta se curvou e partiu.
Enquanto isso, Daphne estava no quarto quando Juane entrou, ela disse:
- Juane! Então, como foi?
- Apenas conversei com tua mãe.
- O que ela disse?
- Que iria falar com seu pai imediatamente.
- Que bom, Juane. Agora já podes sair.
- Mas para onde?
- NÃO SEI PARA ONDE! VAI PARA ONDE QUISERES!
- Sim, Senhorita Daphne!
Juane fez a reverência e saiu.
Neste momento, Arthur estava com alguns amigos em um bar, era um lugar no qual só havia homens. Mulheres não podiam passar nem perto. Arthur só bebia água e se sentava acompanhado por três amigos. Ele estava ouvindo seu amigo Percival Middlesex falar. Percival tinha cabelos escuros e pele branca, ele não era bonito, mas muitas jovens se apaixonavam por ele, talvez pelo charme. Ele dizia:
- Quando eu me casar, não quero que minha esposa leia ou saiba escrever! Assim como todos os homens atuais!
- Tu tens é medo de que elas, as mulheres, fiquem mais inteligentes do que você! - disse Arthur desafiando seu melhor amigo
- E tu, será que deixaria que sua mulher soubesse ler?
- Claro que sim! Mas somente se eu fosse o encarregado de ensiná-la! - respondeu Arthur
Todos riram e Edgar Picklesouse disse:
- Então vamos tentar guardar na memória esse momento. E no futuro iremos cobrar, Arthur!
- Podem cobrar! Mesmo se não me cobrarem, eu irei fazê-lo!
- Tu estás se enrascando mais, Arthur! - disse Edgar, ele era um rapaz loiro e simpático, um machista de carteirinha
- Não estou enrascado! Cumpro o que digo! - disse Arthur
- Arthur, tu não estás noivo? - disse Percival
- Estou sim! Mas não a conheço.
- Então que tenha boa sorte! - disse Edgar
Os três olharam para o lado e viram Cyrano Albatross, que era o terceiro amigo que estava
junto a Arthur. Ele estava caído na mesa de tão bêbado. Ele tinha olhos azuis e cabelos pretos, e
isso atraía as mulheres, só que elas só viam se ele os abrisse, normalmente, os amigos o deixava em casa, pois ele sempre bebia. Os três se olharam com a cara de tristeza, sabendo que a triste rotina de levar Cyrano em casa, não tinha fim. Arthur disse sorrindo:
- Olhem o lado bom. Pelo menos ele está vivo.
- Isso é um lado bom? - disse Edgar
- Pensando bem, tem razão! - disse Percival
- Então pensem nos biscoitos que a Senhora Albatross nos oferece todos os dias, quando levamos o Cyrano. - disse Arthur sorrindo
Os três se olharam e disseram em coro:
- Hummmmmm!!!!!!!!
Se levantaram ao mesmo tempo e Arthur disse:
- Hora de começar a nossa penitência!
- Então mãos à obra, ou melhor, á bêbado! - disse Percival
Os três carregaram Cyrano até em casa e comeram deliciosos biscoitos de chocolate. Em seguida, Arthur foi para casa, no caminho observou um misterioso homem encapuzado, quem ele nunca tivera visto antes. Só que ao chegar em sua rua, avistou um criado na porta de sua casa conversando com seu criado, mas a conversa parecia não estar muito agradável. Arthur se aproximou e disse:
- O que há por aqui?
Seu criado se virou e disse muito nervoso:
- Senhor, esse moço não quer me entregar o bilhete.
- Que bilhete? - disse Arthur
- O senhor di Frangipane me enviou para entregar um bilhete para o senhor Terry! - disse o criado da família di Frangipane
- E por que não o entrega ao Paulo (Paulo era o criado de Arthur)?
- Devo entregar para alguém de confiança. - respondeu o criado
- Posso te afirmar que Paulo é um dos homens mais dignos que já conheci. Por gentileza, entregue o bilhete para ele! - disse Arthur
- Mas quem é o senhor? - disse o criado
- Sou Arthur Terry! Filho do Senhor Terry!
- Perdoe-me pela indelicadeza, senhor! - disse o criado envergonhado
- Entregue o bilhete! - disse Arthur friamente
- Sim, senhor!
O criado entregou o bilhete para Paulo e disse:
- Com licença, devo me retirar.
Quando o criado saiu, Paulo disse:
- Fico grato por ter me defendido, senhor!
- Não foi nada, Paulo. Eres um bom homem, conheço teu caráter.
- Agradecido, senhor!
- Então vá entregar esse bilhete.
- Sim, Senhor!
Paulo foi entregar o bilhete para Senhor Terry. Ao chegar no quarto de Senhor Terry, ele bateu na porta e disse:
- Com licença, senhor!
- Pode entrar, Paulo! - disse Senhor Terry
- O senhor di Frangipane lhe enviou este bilhete.
Paulo entregou o bilhete e disse:
- Com licença.
Paulo saiu e Senhor Terry abriu o bilhete, que dizia:
---------------------------------------
Meu querido amigo, gostaria de pedir que venha até minha casa
imediatamente e que traga seu filho, Arthur. Te
aguardo. William di Frangipane
---------------------------------------
Senhor Terry leu e chamou por Arthur, que em seguida apareceu. Senhor Terry disse:
- Arthur, onde estava, filho?
- Estava ajudando Edgar e Percival a levar Cyrano para casa.
- De novo embreagado?
- Como todos os dias.
- Bem, necessito de sua campainha.
- E para onde iremos?
- Iremos para a casa da família di Frangipane.
- De Daphne?
- Sim, de Daphne.
- Mas papai, sabes bem que não suporto Daphne e que mal consigo disfarçar!
- Arthur, não deves discutir comigo. Vamos.
- Tem razão, papai. Me perdoe.
- Sim, agora vamos.
Os dois foram para a casa da família di Frangipane e chegando lá, entraram e foram até o escritório do Senhor di Frangipane. Ao entrar no escritório, Senhor di Frangipane disse apertando a mão do Senhor Terry:
- Marcus! Fico feliz em vê-lo.
- Como estás, meu amigo? - disse Senhor Terry
- Estou bem e você?
- Estou indo.
Senhor di Frangipane se virou para Arthur, apertou sua mão e disse:
- E você, meu jovem?
- Estou muito bem, senhor! - disse Arthur
- Então sentem-se, por gentileza. - disse Senhor di Frangipane soltando a mão de Arthur
Todos se sentaram e Senhor di Frangipane disse:
- Acredito que tenham recebido meu bilhete.
- Sim! Recebi. - disse Senhor Terry
- Eu os convoquei aqui, porque sabes como é, não é, Marcos? Tenho uma filha e devo pensar em seu futuro. Estava a procura de um bom partido para minha filha. E ao observar os jovens de hoje em dia, não são mais como antigamente. Podes ver por exemplo, o filho do Senhor Albatross, um bêbado!
- Com o perdão da palavra, digo-lhe com toda certeza e clareza que Cyrano não é embreagado, mas sim, um inconformado. Desde que sua musa se casou, não é o mesmo. - disse Arthur bravamente
- Arthur, por gentileza, não interrompa o Senhor di Frangipane. - disse Senhor Terry
- Perdão. Continue. - disse Arthur com raiva
- Então olhei para a cidade e logo pensei, o melhor partido para Daphne, é Arthur! Marcus, gostaria de suplicar-lhe que o case com minha menina. - disse Senhor di Frangipane
- Espere um momento! Isso é impossível! Arthur já é noivo! - disse Senhor Terry
- Tem certeza, Marcus? - disse Senhor di Frangipane
- Digo-lhe com toda certeza e precisão. - disse Senhor Terry
- Se é assim, peço perdão por meu engano. - disse Senhor di Frangipane envergonhado
- Suponho que possamos ir. - disse Arthur friamente
- Filho, não seja tão frio com meu amigo. - disse Senhor Terry
- O rapaz tem toda a razão! Por tanto, podem ir. Estou muito encabulado. - disse Senhor di Frangipane tristemente
- Até mais! - disse Arthur saindo da sala sem nem sequer abraçar Senhor di Frangipane
Esse, se levantou e abraçou Senhor Terry, que saiu em seguida.
Lá fora, Senhor Terry disse para Arthur:
- Filho, estou decepcionado com teu comportamento! Me deixaste encabulado!
- Papai, não havia mais o que fazer. Ele ofendeu meu amigo e em seguida, ele tentou que eu noivasse com sua filha, pela qual não tenho nenhuma simpatia!! - disse Arthur
- Filho, concordo que defendas seu amigo, mas ao menos seja cortes! - disse Senhor Terry
- Perdoe-me, meu pai. - disse Arthur abaixando a cabeça
Senhor Terry iria responder, só que, Arthur trombou em um homem encapuzado, que caiu ao lado de Arthur, que também caiu. Arthur rapidamente se levantou e estendeu a mãe para o homem encapuzado. Arthur disse:
- O senhor está bem?
Foi aí que ele notou que o homem tinha barba, embora não pudesse ver sua face, já que estava coberta pelo capuz. Arthur continuava com a mão estendida, até que o homem segurou e disse:
- Estou bem.
- Perdão, eu estava distraído e...
- Não precisa se desculpar, jovem.
- Então o senhor está bem, de verdade, certo?
- Correto, correto!!
O homem saiu correndo e e tropeçou mais adiante, mas não caiu. Arthur sorriu, achando graça naquele homem tão desastrado. Arthur começou a caminhar com seu pai, que disse:
- Sujeito anormal este. Não acha, meu filho?
- Sim, meu pai. Mas me aparenta ser um bom homem.
- Espero que seja! De pessoas más o mundo está lotado! Por falar em maldade, meu filho, ouvi comentários na rua de que o conflito entre a França e a Inglaterra, ainda não se deu por terminado, fazem 65 anos que esta guerra acontece e eu me pergunto se isso irá ter fim!
- Senhor meu pai, um lado terá que se render alguma hora e tudo isso acabará.
- Espero que essa hora esteja próxima, meu filho!
- Está, estou certo disso!! Papai, devo ir.
- Irás para casa?
- Sim, irei para casa. Uma bela dama me espera!
- Espero que essa, seja sua mãe!
Arthur sorriu e correu.
Enquanto isso, Elisa estava se arrumando em seu quarto, Maria penteava seus cabelos. Elisa disse:
- Maria, será que devo ir?
- Sim, meu bem! Desves ir! Estou de apoiando.
- Está bem!
- Mas, ele marcou para que fosse ao pôr-do-Sol!
- Sim, estou consciente disso! Mas desejo colher flores antes da chegada dele.
- Está certa, querida!
- Se meus pais perguntarem, tu dizes que fui colher flores, pois só assim...
- Só assim, estarei mentindo e contando a verdade ao mesmo tempo! Já me disseste isso isso umas três vezes!
- Agora devo ir!
- Está bem!
Elisa se levantou e abriu a porta do quarto, mas Maria disse:
- Elisa!! E a cesta para colher flores?
- Como sou distraída! Deixei em cima da cama!
Elisa correu e pegou a cesta, em seguida, parou em frente à Maria e disse:
- Não sei o que seria de mim sem você, Maria!
Dando um beijo na bochecha de Maria, Elisa saiu.
Arthur chegou em casa, avistou sua mãe, que gritou:
- Arthur!! Filho, venha até aqui!
Arthur foi, deu um beijo no rosto de sua mãe, que disse:
- O que o Senhor di Frangipane desejava?
- Mamãe, a senhora não irá acreditar! Ele queria que eu noivasse com Daphne.
- Mas tu já é noivo!
- Foi o que papai disse para ele! Agora devo me arrumar!
- Irás sair?
- Não! Digo, sim!
- E aonde irá?
- No monte das flores!
- O que irás fazer?
- Colher flores para a minha estimada mãe!
- Então vou contigo!
- Não!! Digo, é que papai está chegando e não gostará de ficar sozinho em casa!
- Estás certo. Devo permanecer aqui.
- Isso!
- Então vá se arrumar, filho!
- Sim, mamãe!
Arthur correu para o quarto e trocou de roupa. Em seguida, saiu.
Elisa, já estava no Monte das Flores. Colhia flores e cantava docemente:
“Flores minhas queridas,
devo lhes dizer,
que ele era tão bonito,
quanto se pode ser!
Foi um momento curto,
devo afirmar,
Arthur é o homem da minha vida,
de longe posso notar!”
Arthur estava lá, parado, ouvindo a mais bela canção que já pensara ouvir.
Na casa di Frangipane, Juane havia sido chamada por Senhora di Frangipane. Ao chegar ao quarto de Senhora di Frangipane, Juane disse:
- Pois não, senhora?
- Juane, é com tristeza que te digo que Daphne não pode noivar Arthur.
- Com o perdão da palavra, por qual motivo, senhora?
- Conversei com meu marido e esse, convocou Arthur e Senhor Terry para virem até aqui.
- E o que aconteceu?
- Arthur já é noivo.
- Oh! - disse Juane pondo as mãos na boca - Senhora, por favor, me perdoe! Não foi minha intenção causar constrangimentos!
- Bem sei de suas intenções, Juane! Não deves se desculpar!
- Fico grata, senhora!
- Por isso te chamei aqui, para te comunicar o acontecido, apenas isso. Pode ir.
Juane saiu espantada e foi até o quarto de Daphne. Na hora que Juane entrou, Daphne disse:
- O que minha mãe queria, Juane?
- Ele é noivo.
- Juane, te fiz uma pergunta!
- Ela queria me comunicar que tu não podes noivar com Arthur.
- E por qual motivo??
- Ela me disse que teu pai o convocou aqui e eles conversaram.
- Te perguntei o motivo!
- Bem, é que, ele já é noivo.
Daphne se sentou em sua cama. Era um grande susto.
Capítulo II
Chegando ao baile, Senhor e Senhora Nunez foram conversar com seus amigos. Já Elisa, sentou-se em uma meda encostada na parede, junto a Maria. Do outro lado da festa, chegava Arthur, com seus pais, o Senhor e a Senhora
Terry. Logo ao entrarem na festa, avistaram a ambiciosa Daphne di Frangipane, uma moça de olhos azuis, cabelos loiros e pele branca. Ela estava junto à uma Ela estava junto à senhora de cabelos castanhos, olhos escuros e pele branca. Assim que ela os avistou, foi ao seu encontro. Ao chegar perto da família Terry, Arthur beijou sua mão dizendo:
-
Como está você, senhorita Daphne?
- Muito bem. Mas confesso que melhor agora com a chegada de vocês! - disse Daphne alegremente
- Fico grato. - disse Arthur friamente, já que não gostava de Daphne
Senhor Terry logo sorriu e disse:
- Meu bem, já não me cumprimenta? Te fiz algo?
- Jamais, Senhor Terry! Perdoe minha distração! - disse Daphne envergonhada
Senhor Terry beijou a mão de Daphne e disse:
- Onde estão seus pais, meu anjo?
- Conversam com o Senhor e a Senhora Golveia. - disse Daphne
- Que bom.- disse Senhor Terry sorrindo
Daphne se virou para Senhora Terry e disse:
- Senhora Terry, como estás?
- Muito bem, querida.
- Precisamos marcar um chá para nós duas. - disse Daphne
- Marcarei com todo o prazer!
- Estarei aguardando. - disse Daphne olhando discretamente para Arthur, que, no momento
se distraía com a música
Daphne então sentiu raiva daquela falta de atenção para com ela, já que Arthur sempre foi
seu único e exclusivo amor. Então ela disse para Senhora Terry:
- Agora devo me retirar, para me juntar à ama.
- Vá, meu bem. Pode ir. - disse Senhora Terry
Senhora Terry viu Daphne indo e disse no ouvido de Arthur:
- Meu bem, por qual motivo foss
es tão severo com ela?
- Ela me incomoda, minha mãe. Ela me incomoda. - disse Arthur calmamente
- Então se é assim, tudo bem. Irei acompanhada por seu pai até nossos amigos, por que tu não vais andar pelo baile? - disse Senhora Terry
- Irei, minha mãe. - disse Arthur
- Até mais, meu amor. - disse Senhora Terry
- Até. - disse Arthur docemente
Ele começou a andar pela festa.
Daphne estava parada com sua ama. Então ela avistou Arthur andando pela festa. Ela disse:
- Juane (era o nome de sua ama), estás vendo aquele rapaz?
- Qual?
- Aquele de cabelos castanhos.
- O que está caminhando?
- Ele. Se chama Arthur. Quero que tu me faças um favor.
- Pode dizer, menina.
- Tu tem de falar com minha mãe.
- Mas o que devo dizer?
- Deves dizer que acha que Arthur é o melhor partido para mim. Assim, ela conversará com meu pai, que acabará pedindo para que Arthur noive comigo.
- Não posso fazer isso.
- Por qual motivo?
- Nem imagino quem seja esse Arthur.
- Eu o amo, Juane!
- Menina, é perigoso. Se tua mãe descobrir?
- Tu queres que eu seja feliz ou não?
- Claro que quero!
- Então faça o que eu peço.
- Meu bem...
- Não aceito não como resposta!
- Está bem, tu ganhaste! Farei isso.
- Obrigada, Juane.
- De nada, meu amor.
- Agora desejo comer.
- Vou pegar comidas?
- Claro que sim! Se desejo comer é obrigação tua me trazer comida!
- Sim, Daphne. Estou indo.
- E não demore.
- Está certo.
Juane saiu triste pela frieza de Daphne e foi buscar os alimentos.
Já Elisa, estava com Maria, que dizia:
- Sabe, menina. Hoje eu andava na rua e pela primeira vez vi um homem todo encapuzado. Era o assunto de todos.
- Quem é ele?
- Esse é o mistério. Ninguém sabe nem de
onde ele veio.
- Maria, assim me mata de curiosidades!
- Minha querida, nem eu sei quem ele é.
- Então amanhã mesmo irei na rua com você!
- Para fazer o que?
- Para descobrir quem é ele!
- Como fará isso?
- Ainda não sei, Maria.
- Não sei se poderemos ir.
- Diz que sim, Maria!! Por favor.
- Está bem, meu amor. Vamos.
- Obrigada, Maria.
- Agora você me dá licenç
a?
- Aonde vais?
- Ao toalete.
- Vai se arrumar?
- Não! Vou no vaso!
Elisa riu e disse:
- És uma despudorada!
- Por que?
- Disseste muito alto.
- Tu me perguntaste.
- Então vá.
- Vou, não saia daí.
- Está bem!
Maria saiu correndo. Elisa olhou as pessoas que passavam. Até que Arthur, que estava passando por ali a notou. Ele pensou: ”Essa é com certeza a mais encantadora moça da Itália. Ou talvez, o mais gracioso anjo do céu.”
Elisa olhou para o lado e o viu parado olhando para ela. Com o susto, ela se virou rapidamente. Mas Arthur não se conteve e foi até lá e disse:
- Olá.
- Olá. - disse Elisa env
ergonhada
- Perdoa-me pela ousadia de admirar-te.
- Não deve se desculpar.
- É que eu achei que estava morto.
- Morto? Mas por que?
- Olhei para ti e achei ter visto o mais gracioso anjo do céu.
Elisa abaixou a cabeça envergonhada, mas preferiu tentar mudar de assunto dizendo:
- Como você se chama?
- Me chamo Arthur.
- É um belo nome, me lembra um rei.
- Posso fazer um pedido?
- Pode, claro.
- Permite que eu segure sua mão?
- Minha mão?
- Sim.
- Não posso.
- Por que não?
- Meus pais não me permitem.
- Eu te prometo que será depressa.
- Mesmo?
- Mesmo.
- Se é assim, está bem.
Elisa retirou a luva de uma de suas mãos e estendeu a mão para Arthur, que a beijou. Em seguida a segurou junto a seu coração. Ele disse:
- Podes me encontrar amanhã?
- Como assim?
- Para podermos conversar.
- Meus pais não permitem.
- Eles não precisam saber.
- Queres um encontro oculto?
- Sim, um encontro secreto.
- Está bem. Onde?
- No monte das flores. No pôr do Sol.
- Eu irei.
- Podes sentir meu coração?
- Sim.
- Ele está acelerado não é?
- Sim.
- E sabes por que ele está assim?
- Não.
- Por que estou perto de ti.
Elisa estava cada vez mais encantada por Arthur. Ela olhava dentro daqueles belos olhos azuis. E ele olhava em seus olhos cor de mel. Só que, de repente, Maria apareceu dizendo:
- Elisa, eu estava com uma dor de barriga!
Só que ao olhar melhor ela viu Elisa sentada na cadeira, e ao seu lado, um rapaz ajo
elhado que segurava sua mão apaixonadamente. Maria gritou:
- Elisa!!! O que significa isso?
Imediatamente Arthur soltou a mão de Elisa e Maria disse:
- Venha! Vamos sair daqui!
- Está bem! - disse Elisa
Maria segurou a mão de Elisa e foi dizendo:
- Eres uma despudorada? Onde já se viu? Dar a mão para um rapaz. E pior, conversaste com ele em hora em que estava sozinha.
- Desculpa, Maria.
- Não repita isso, querida.
- Está bem. É que ele mexeu comigo.
- O rapaz?
- O nome dele é Arthur.
- É um belo nome.
- É sim.
- Em que está pensando?
- Tenho que vê-lo de novo.
- Está apaixonada?
- Isso.
- Mas e seu casamento?
- Não posso casar!
- Mas só o conheces de um dia.
- Para mim é como se já conhecesse uma vida inteira.
- Meu, bem. Temo por ti.
- Não tem que temer.
- Quero poder acreditar.
- E pode.
- Está bem. Então vamos.
- Sim.
As duas foram até os senhores Nunez. E foram para casa.
Em casa, Elisa trocou de roupa e foi até a varanda, olhou a lua e se lembrou:
“Olhei para ti e achei ter visto o mais gracioso anjo do céu.”
Ela pensou: “A gente tem que se ver de novo. Eu prometo.” Sem saber que no mesmo mo-
mento, Arthur estava em casa, na varanda também olhando para a lua e lembrando:
“É um belo nome, me lembra um rei.”
Então ele pensou: “Doce anjo, nos veremos de novo. - ele sorriu e seus olhos brilharam - Está escrito nas estrelas. Posso ver - respirou fundo, de olhos fechados disse - e sentir.”
Elisa, que se apoiava na varanda, ouviu Maria dizer:
- Ainda estás aí?
- Maria, sei bem como gostas de um romance.
- Aonde queres chegar, Elisa?
- Não impedirás minha história com Arthur, não é?
- Menina, estás tocando no meu ponto fraco. Sabes que amo romances.
- Sabe, Maria. Ele marcou um encontro.
- Para quando?
- Amanhã. No Monte das Flores, ao pôr-do-Sol. Mas não sei se devo ir.
- É evidente que deve!
- Maria?
- Te ajudarei.
- Maria, eu te amo!!
Elisa abraçou Maria sorrindo. E Maria disse:
- Agora, está na hora de dormir.
- Está bem! Obrigada por tudo.
- Por nada, meu bem. Boa noite.
- Boa noite.
As duas foram dormir. Elisa foi deitar, sem saber o sonho que a esperava no dia seguinte.
Capítulo I
Era uma manhã ensolarada. Muitos arriscavam dizer que era um dia bom. Era um dia normal para todos, quase todos. O tão misterioso homem encapuzado andava na rua, muito movimentada. Muitos se perguntavam quem era ele. As mulheres andavam nas ruas com suas amas. Era 21 de Fevereiro de 1412, em temp
o medieval, na Provincia di San Marino Itália. O homem encapuzado chega em casa, com uma notícia que ele preferia não ter que contar, mas, temos que ser fortes, sempre. Afinal, até que ponto chegamos por um grande amor? Professor "parecia" não saber...
Dez anos atrás, Arthur, um homem muito belo de olhos azuis, alto, magro, cabelos castanhos e pele branca (20 anos) entrava na casa da família Nunez acompanhado por seu pai. Senhor Frederick Nunez os esperava em seu escritório. Ao passar pelo jardim florido da casa, eles bateram na porta branca, até que uma ama chegou, abrindo a porta e disse serenamente:
- Sejam bem-vindos à residência da família Nunez. O Senhor Nunez espera vocês no escritório, podem acompanhar-me, por favor?
Marcus Terry, um homem de cabelos loiros, olhos escuros e pele branca, pai de Arthur, olhou para a criada e disse:
- Pois bem.
- Por gentileza, me acompanhe.
Arthur e seu pai foram com a criada, passando pela linda sala azul, com sofá branco e uma lareira. Ao passar pela sala, viram uma porta de madeira escura. A criada abriu a porta e eles entraram. Então Senhor Nunez disse:
- Marcus! Meu estimado amigo!
Ele apertou a mão de Marcus, e em seguida disse:
- Esse provavelmente é seu filho, Arthur.
- Sim. Ainda recorda? - disse Marcus
- Como não? Filho de meu mais fiel amigo!
- Tu, sempre com uma amizade impecável!
- Teus olhos que a faz assim.
Com um sorriso, Marcus mostrou a seu amigo o quanto estava feliz em revê-lo. Então, Senhor Nunez disse apertando a mão de Arthur:
- E você, meu jovem? Como está?
- Muito bem, e o senhor?
- Bem. Então, vamos para o que interessa. Sentem-se por favor.
Todos se sentaram e Senhor Nunez disse:
- Meu caro Marcus, eu estava imaginando coisas sobre a vida e terminei recordando o belo dia em que nós: eu, tu e nossas senhoras estávamos em um parque e como tínhamos filhos pequenos, eu te disse: “Quando nossos filhos crescerem se casarão.” Consegues recordar?
- Como não? Seria um grande gosto que aquilo se realizasse! - disse Marcus
- Assim como para ti, para mim seria um extremo prazer. Portanto os convoquei aqui, para questionar-lhe sobre esse dia.
- Queres saber se eles se casarão?
- Com toda certeza e precisão possível.
- Mas para mim seria uma honra!
- Isto quer dizer que haverá casamento.
- Fique certo disso!
- Sempre sonhei com um bom casamento pra minha menina.
- Tens toda razão, hoje em dia, não é fácil de se encontrar um bom partido.
- Mas não quero casá-la com teu filho pela herança do rapaz, mas sim, pelo valor moral que ele carrega consigo.
- Nisso tu tens razão. Meu filho é muito bem visto.
- Então ficamos combinados que eles só se conhecem no dia do casamento.
- Meu prezado amigo, tu irás ao baile de hoje à noite?
- Sim, irei com minha esposa.
- E a senhorita sua filha?
- Prefiro não levá-la. A deixarei sozinha com a ama.
- Entendo seu decisão.
- E tu, irás?
- Ainda não decidi. Mas acredito que não, é um tanto cansativo.
- É sim. Então nos vemos lá, se tu fores.
- Está certo. Se é assim, estou de saída.
Disse Senhor Terry se levantando, então Senhor Nunez se levantou, seguido por Arthur. Então, Senhor Nunez disse:
- Até a vista, meu amigo que, graças a Deus, futuramente será da família.
- Até a vista.
Senhor Nunez aperta a mão do Senhor Terry e em seguida a de Arthur, dizendo:
- Até a vista, meu genro!
- Até a vista, senhor meu sogro.
Disse Arthur sorrindo. Então, Arthur e Senhor Terry saíram da casa.
Senhor Nunez subiu as escadas e foi até o quarto de Elisa. Chegando lá, ele bateu na porta, dizendo;
- Elisa! Elisa, meu anjo, posso entrar?
Então ele ouviu uma voz doce dizer:
- Sim, papai!
Ele entrou e encontrou Elisa, uma moça de cabelos pretos, olhos castanhos claros e pele branca. Ela estava olhando vestidos em sua cama. Senhor Nunez disse:
- O que estás aprontando?
- Papai, estou escolhendo escolhendo minha roupa para o baile de hoje. Mamãe estava aqui, mas saiu com a Maria (Maria era a ama que acompanhava sempre Elisa).
- Se é assim, ela está bem acompanhada!
- Com toda certeza, papai! O que viestes me dizer?
- Eu?
- O senhor.
- Vim vê-la. E também pra informar-lhe que estás noiva.
- De quem, papai?
- De um rapaz bom e amigo.
- Papai, ele é belo?
- Não sei filha, só vejo beleza em ti e em tua mãe.
- Papai, me diz quem é. Eu te imploro!
- Não posso, meu bem! Combinei com o pai dele que vocês se veriam pela primeira vez apenas no dia do casamento.
- Mas por qual motivo?
- Não me questione, querida!
- Papai, queria saber quem é ele!
- E saberá!
- De verdade?
- Sim! No dia do casamento.
- Está bem! O senhor é quem comanda! Posso te fazer uma pergunta muito importante?
- Sempre pode.
Elisa correu até a cama e pegou um vestido azul e outro rosa. Ela disse:
- Qual é o mais bonito?
- Ah, minha querida, tudo fica bem em ti!
- Ah, papai! Assim não estás me ajudando, mas sim, me confundindo ainda mais!
- Está bem, meu amor! O rosa te deixa deslumbrante.
- Obrigada, papai!
Elisa deu um beijo na bochecha de seu pai, que disse:
- Espere um pouco, meu bem! Para que estás escolhendo vestido?
- Para o baile de hoje.
- Elisa, tu não vais!
- Por que, papai?
- Tu és muito jovem.
- Papai, deixa que eu vá!
- Não fica bem.
- Para quem?
- Para ti!
- Por qual motivo?
- Estarei longe e não terás que cuide de ti.
- Papai! E se eu levar a Maria comigo?
- A Maria?
- Sim, papai. Ela é uma pessoa de confiança.
- Se é assim pode ir, mas somente se for com a Maria, ouviste?
- Ouvi!
Elisa abraçou o pai dizendo:
- Eres o melhor pai da Itália.
- Mas somente da Itália?
- Não! De todo o mundo!
- Instantaneamente me transformei em alguém importante!
- Tu sempre fostes uma pessoa importante! O meu amado papai!
Ela o abraçou e saiu correndo, dizendo:
- Vou avisar à Maria.
- Está bem.
Ela saiu e lá fora, no jardim, ela encontrou Maria, uma mulher de cabelos pretos, olhos escuros e pele branca. Ela estava com sua mãe, uma mulher de cabelos ruivos, olhos azuis e pele branca. Elisa disse:
- Maria, tens que arranjar um vestido imediatamente!
- Como assim, menina? - disse Maria
- Filha, o que está dizendo? - disse Senhora Nunez
- Papai não queria permitir que eu fosse ao baile! - disse Elisa
- Mas por que motivo? O que aprontaste, meu amor? - disse Senhora Nunez
- Nada, mamãe. Mas ele somente permitiu pelo fato de eu ter dito que Maria iria comigo. - disse Elisa
- Eu? - disse Maria
- Sim! Tu! O que esperas? Vai arrumar o vestido. Vamos ao baile! - disse Elisa
Maria olhou para Senhora Nunez, que fechou os olhos, respirou fundo e disse:
- Vão! Seja o que Deus desejar!
Elisa saiu correndo com Maria, que, por ser um pouco gorda, se esforçava muito para ir rápido. As duas chegaram no quarto de Elisa e Maria disse tomando ar:
- Correstes rápido demais, menina. Quase me mataste!
- Maria, tenho que contar-te uma informação que acabei de descobrir.
- Pode dizer.
- Estou noiva.
- Mas de quem?
- Este é o problema. Papai não me contou. Será que tu não sabes?
- Eu não! Tua mãe não me disse nada.
- E agora, Maria?
- Não sei, querida.
- Imagina que papai não me disse sequer se ele é belo.
- Não te preocupas com beleza, meu bem. Mas sim com caráter!
- Achas que não me preocupo?
- Aparenta não se preocupar!
- Então vamos escolher seu vestido.
- Vamos.
As duas passaram muito tempo escolhendo um vestido para Maria, depois encontraram um perfeito. Azul com flores.
Na hora do baile, S
enhor Nunez estava na sala, esperando, já sem paciência. Até que Senhora Nunez apareceu. Ela estava deslumbrante. Ele olhou para ela e disse:
- Por um segundo, imaginei que eras um estrela que despencou do céu, e não a mais brilhante da terra. Estás encantadora, meu amor.
- Que bom que gostastes, querido!
- Sabes que sempre gosto.
Senhor Nunez beijou Senhora Nunez. Então apareceu Maria. Estava
muito bem com a roupa azul. Senhor Nunez disse:
- Maria, estás muito bem.
- Fico grata pelo elogio, senhor.
Todos ouviram uma voz dizer:
- Grata e envergonhada!!
Era Elisa, descendo as escadas sorrindo. Senhor Nunez olhou para as três e disse:
- Serei invejado por todos os cavalheiros da festa! Estou acompanhado pelas mais belas damas!
Todas sorriram e foram para o baile.
Informação

Oi, bem primeiro queria agradecer a vocês que lêem AMores Eternos e dizer que fico muito feliz pelos que gostaram. Como eu já havia previsto, AMores Eternos não será mais publicado aqui. Nesse ano - espero - será o lançamento do livro então devo deixar que seja inédito o final. Quem se interessar pelo livro pode entrar em contato comigo por meu email (ellenbtgtecladista@yahoo.com.br) ou pelo próprio orkut (http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=10141011466495337502). As imagens são de Lances da vida, série que passa todos os domingos às 11 da manhã no SBT, muito boa por sinal, Smalllville, que passa nos domingos depois de Lances da Vida e OC - Um estranho no Paraíaso, essa não assisti mas acredito que seja boa também.
Na próxima semana vou começar a publicar semanalmente Caminhos Cruzados - O Encanto das Flores que é o livro que estou escrevendo...
Bem, então obrigada por tudo. ;D
Beijos!
Ellen Tuiuyou
Amores Eternos com comunidade no Orkut



Oieeee,
primeiramente, queria me desculpar pela demora pra publicar o capítulo 55... o computador quebrou só ontem consegui pôr tudo em dia. mas vim dizer que o Amores Eternos finalmente ganhou seu espacinho no orkut... agora criei uma comunidade para podermos discutir sobre os personagens e etc... e também para vocês terem contato direto com os amigos que inpiraram os personagens...
O endereço do orkut é:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=39247351
Bem, é isso aí... espero que gostem . Ah e quando votarem na enquete podem deixar um comentário?
Obrigada, pessoal...
Beijos!
Ellen Tuiuyou
Parte 55 - A Chegada
No Episódio Anterior, Jorge disse para Allana e Nina que no dia seguinte voltariam para Miami. Ele conversou com Abel. Quando voltaram para Miami, Ellen terminou tudo com Jorge e decidiu invertigar a morte de Jéssica. Nina convenceu Allana a ir junto para Amsterdã tentar esclarecer tudo com Abel. O vidente apareceu e disse que Ellen não será feliz com sua escolha.
--------------------- PARTE 55 ----------------------
A Chegada
Ellen voltou para casa e ligou para Diógenes, ele disse:
- Alô!
- Alô!! Diógenes??
- Oi, quem é?
- Sou eu, Ellen!
- Diz Ellen!
- Já decidi!
- Já?
- Aham.
- E...
- Prefiro te ver pessoalmente.
- Está certo! Vou para aí daqui a pouco.
- Vou esperar.
- Ok, até daqui a pouco então.
- Até!
Ellen desligou o telefone e depois de meia hora ela ouviu a campainha tocar, ela abriu a porta e viu Diógenes, ela disse:
- Entra.
- Beleza.
Ellen fechou a porta e disse:
- Quer sentar?
- Claro.
Diógenes se sentou e falou:
- E então? O que decidiu?
- Eu pensei muito e vi que com o Jorge eu posso ter tudo o que sempre sonhei! Posso ter tudo concreto e com você, nossa, com você posso ter o que a vida tem de melhor, que por sinal, é obstrato.
- Eu já sei de tudo isso, Ellen. Não vim aqui ouvir você me contar tudo de novo. Meu anjo, seja direta por favor, ok?
- Você está certo! Fiz minha escolha e escolhi o único homem que me fez sentir algo novo, algo que me fez querer ser uma pessoa melhor.
- E esse homem seria...
- Esse homem é você.
- Eu?? Nossa!! Esperava que fosse o Jorge!!
- Como seria se eu só amo você?
- Ah, vem cá!
Diógenes se levantou e Ellen o abraçou, e ele disse:
- Mas e o Jorge?
- Já acabei tudo com ele! Podemos nos casar hoje se você quiser!
- Que bom!! Mas hoje não né? Tá tarde! Tô com vontade de fazer outra coisa.
- O quê?
- Assistir um filme com você. Comendo pipoca, claro!
- Só tenho que te dizer uma coisinha!
- O quê?
- Daqui a quinze dias vou ter que viajar.
- Pra onde?
- Amsterdã.
- Pra quê?
- Vou pesquisar a morte
da Jéssica.
- Ellen, pra quê se envolver mais com isso?
- É o meu dever!
- Está bem!!! Vai demorar muito lá??
- Eu não sei.
- Vai com quem?
- Com Nina e Allana! Acabou o enterrogatório??
- Acabou!
- Vamos ver o filme?
- Aham!
Os dois passaram uma linda tarde vendo um filme.
Enquanto isso, Jorge conversava com Abel, ele dizia:
- Mas como tá tudo aí?
- Tá bem! É, normal! E aí??
- Aqui tá bem também. Ei e a Tainá? Despareceu
- Que nada!
Todo dia tá aqui! Tem dias que me arrasta até a lanchonete da frente daqui de casa.
- Casa, apartamento né?
- Claro! E eu tenho outra?
- Tem! A da sua família!
- É mesmo, tinha me esquecido.
- Só você pra se esquecer sua família!
- Eu não esqueci!! Eu só não me lembrei!
- Sei!
- E a Ellen? Cadê?
- Terminamos!
- O quê??
- Eu vi que não estava dando certo e acabei tudo!
- Sei! É mais fácil ela ter te dado um fora em público!